domingo, 13 de setembro de 2015
Um texto
Um texto sóbrio sobre drogas.
Um texto imparcial sobre política.
Um texto sem amor de mãe para filho.
Um texto sem paixão sobre futebol.
Um texto sem mãe puta sobre juiz de futebol.
Um texto sem roubo sobre Flamengo e Corinthians.
Um texto sem machismo sobre homem.
Um texto sem beleza sobre mulher.
Um texto lento sobre Bolt.
Um texto rápido sobre justiça.
Um texto sem ódio sobre injustiça.
Um texto sem tesão sobre sexo.
Um texto esclarecido sobre sexualidade.
Um texto sem alienação sobre TV.
Um texto sem vício sobre smartphone.
Um texto sem futuro sobre criança.
Um texto sem criança sobre catolicismo.
Um texto sem humildade sobre Francisco.
Um texto sem água sobre Velho Chico.
Um texto racional sobre ciúme.
Um texto do bem sobre Bush.
Um texto sem batida sobre percussão.
Um texto com “r” soble Cebolinha.
Um texto sem polêmica sobre mamilo.
Um texto novo sobre idoso.
Um texto raso sobre fundo do poço.
Um texto profundo sobre 100 metros rasos.
Um texto sem reflexão sobre existência.
Um texto filosófico ignorante.
Um texto sem conspiração sobre fatos históricos.
Um texto feliz sobre falta de sorte.
Um texto alegre sobre morte.
Um texto livre na Coreia do Norte.
Um texto inteligente sobre limite do humor.
Um texto sem briga sobre família.
Um texto sem guerra sobre Israel e Palestina.
Um texto animado sobre a situação econômica do Brasil.
Um texto engraçado no Zorra.
Um texto antigo sobre hoje.
Um texto sem crase sobre contração.
Um texto de primeira sobre segunda-feira.
Um texto psicológico sobre hiperatividade.
Um texto sem verbo sobre criatividade.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
A utopia do Fusca laranja
Nos idos de 2011 eu estava para completar 18 anos e esperava o resultado do vestibular. Na esquina de cima do meu prédio havia um simpático Fusca de cor laranja, com bancos de couro branco e ano de fabricação, se não me engano, 1974. Eu só saberia essa informação do seu modelo ser o de 1974 por um ou dois papéis de "vende-se" afixados nos vidros do carro, porque, pra ser sincero, não entendo muito de Fusca além de, na minha cabeça, ser o mais simpático dos carros. Também não entendo muito dos outros carros além do que vejo no programa de carros que passa domingo de manhã na Globo. De tanto o ver disponível do mercado com aquela cor bonita e brilhante e com os bancos de couro branco estilizados, eu passei a ter três sonhos: passar no vestibular, tirar a carteira de motorista e ter aquele Fusca.
Os dias se passaram, fui aprovado no vestibular, fiquei careca, meus cabelos cresceram num ritmo mais lento do que eu esperava (mas cresceram), fiquei cabeludo novamente na medida do possível e ainda não havia tirado minha CNH, muito menos chegado perto de adquirir o Fusca que teimava em permanecer em minhas vistas quase todos os dias.
Como a maioria dos meus amigos chegavam a maior idade e já iam direto para a autoescola e posteriormente, se não ganhavam seus próprios carros, tinham algum na garagem para dirigir pra lá e pra cá, eu me sentia inferiorizado. Afinal, que garota se sentiria confortável de sair e namorar com um cara sem carro?
Faltando exatamente um dia para eu completar 19 anos, eu fui aprovado na prova de volante na primeira tentativa, cometendo apenas uma infração. Fiquei muito feliz. A CNH veio - sem posts comemorativos no Facebook -, mas o Fusca laranja não. Com o tempo o Fusca desapareceu da esquina de cima do meu prédio e provavelmente faz a alegria de um novo dono ou do dono que desistiu da ideia de vender aquela preciosidade.
Com os dias também me veio uma outra consciência. A autoestima por não ter um carro não mais ficou abalada. Do dia em que recebi minha primeira CNH até hoje não passam de duas dezenas o número de vezes que fui ao volante. Nos últimos 730 dias dirigi apenas duas vezes. Não sou o que pode ser chamado de motorista experiente, mas das vezes que encarei o mundo dos automóveis eu não entendi mais a minha antiga tara por dirigir, tendo em vista um mundo de tanto estresse depois de um dia igualmente estressante de trabalho, com buracos, barbeiros (coitado dos barbeiros por terem sua profissão associado aos maus motoristas), riscos e combustível com valores surreais.
Não sou quadrado a ponto de não saber que existe todo o conforto de você ter um banco acolchoado só para você, ar condicionado na maioria dos casos hoje em dia, uma música tocando, a liberdade de poder usá-lo no horário que bem entender para as rotas que você escolher, a sensação de controlar uma máquina e tê-lo em casos de emergência. Mas quando me lembro que o carro surgiu com a incrível função de levar alguém do ponto A ao ponto B (creio que não deixou de ser sua principal função), mesmo para os que acreditam que surgiu como um instrumento de dança do acasalamento em um sinal de pura virilidade, ou ainda para ser um iPod gigante impositivo de músicas eletrônicas e sertanejas, me parece que todos os confortos são mais propagandas que levam ao vício do que necessidades.
Essa semana eu já vinha discutindo isso pela enésima vez. Talvez seja o meu Eduardo Jorge feelings, mas vejo outras formas de mais vantajosas de me locomover do ponto A ao ponto B. Goiânia, por mais que não seja uma cidade estruturada para os ciclistas sem as sinalizações e demarcações necessárias, é uma cidade com uma topografia relativamente plana, o que favorece ao ciclismo. Moro em uma boa localização relativa aos meus trabalhos, lazeres e necessidades de serviços. Tudo isso possibilita que grande parte dos afazeres da minha rotina sejam possíveis de serem feitas a pé ou de bicicleta. Para distâncias mais longas, desfruto do Passe Livre Estudantil disponível em Goiás. Mesmo na época em que não havia o passe livre, a passagem de ônibus para estudantes saía pela metade do preço (claro, essa "metade do preço" seria, na verdade, o máximo que deveriam cobrar da população em geral). Por fim, em casos mais urgentes ou em horários que demandam maior atenção com a segurança, o táxi se torna a alternativa tendo em vista que, por mais que seja um serviço com um preço mais salgado, com a frequência de uso se torna completamente viável.
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| Tabela retirada da reportagem "Vou de carro? do jornal Valor Econômico do dia 29/04/2015 |
Por conveniência e coincidência, o jornal Valor Econômico desta quarta-feira trouxe na matéria "Vou de carro?" um estudo sobre o quanto custava usar um carro na cidade de São Paulo, levando em conta fatores como depreciação, combustível, licenciamento, seguro, IPVA, manutenção e estacionamento. Para efeitos de comparação, São Paulo é uma cidade dez vezes maior que Goiânia, com um custo de vida mais alto, mas o parâmetro é válido e totalmente palpável. Peguei para fazer os cálculos algumas rotinas de trabalho de algumas pessoas como exemplo. Um dos custos que calculei, juntando o valor de se manter o carro que percorre em média 22,5 km por dia útil com o valor do próprio veículo, daria algo em torno de quase R$4 mil reais por mês. No mês de abril eu gastei R$36,00 com transporte ao pegar um táxi.
Na minha lógica, ter um carro é como ter um filho. Se você é pai ou mãe de dois filhos e dá para eles um automóvel quando eles completam 18 anos sem que eles tenham condições de arcar com as despesas, você está comprando para si dois netinhos com pais que saíram para comprar cigarros e nunca mais voltaram. Ou seja, assim que seus filhos viram adultos, você vive a nostalgia de ter despesas com crianças outra vez, mas que bebem gasolina ao invés de beberem leite com Toddy.
Não estou demonizando uso de carros. Essa é apenas uma análise que carro ainda não faz muito sentido na minha vida. É verdade que sou um homem branco de classe média, que mora em um dos bairros mais estruturados de uma metrópole e que tem um tipo de necessidade que pode ser atendida de outras formas com relativa segurança e comodidade. É verdade também que o transporte público que percorre o asfalto cheio de buracos daqui não é muito diferente em qualidade do que o conteúdo que corre nos esgotos da cidade. Não nego que em dias de chuva é deprimente percorrer do ponto A ao ponto B de ônibus, a pé ou de bicicleta (paro para lembrar que Goiânia não é uma cidade que pode se chamar de chuvosa, principalmente durante os nossos 6 meses de seca anuais).
Mas será que muitos outros que usam carros têm uma necessidade tão diferente da minha? Será que não usam carro com mesmo costume (ou TOC) que optam pelo elevador ao invés da escada? Será que não ficaram viciados em percorrer distâncias estupidamente curtas queimando combustível e poluindo o ambiente, não só com gases, mas também com barulhos e ocupação espacial?
Quando saio a pé do ponto A ao ponto B, dependendo do tempo que tenho disponível, paro para descobrir Goiânia. Sempre há novas rotas, novas percepções, novas arquiteturas, novas árvores, novos pensamentos, novas inspirações. Sei que esse tipo de consciência não surgiu de maneira espontânea, foi fruto de, talvez, querer uma coisa e não poder tê-la Mas que bom que um momento eu parei para pensar "por que eu quero ter um carro mesmo?". Sei que há pessoas e famílias que têm condições de manter esses carros, as vezes com um carro pra cada membro da família, sem que seja um grande rombo no orçamento. Mas sei também que muitos sentem no bolso o luxo que é ter um carro, seja por necessidade ou status.
Um dia, quem sabe, terei um carro. E quem sabe esse carro não possa ser um Fusca laranja parecido com o que eu via na esquina. Não sei dizer. Mas nesse dia espero continuar com a mesma consciência e não fazer uso de maneira desenfreada e inconsequente. Até lá, continuarei pegando ônibus, indo a pé, pedalando ou de táxi. Também sou aquele ótimo amigo que quando for o caso de uma carona, racho a gasosa e o estacionamento.
Só considero que pensar um pouco sobre o assunto e mudar as atitudes é mudar o mundo. Afinal, a mudança está nas atitudes e não nas utopias de sonhos mal sonhados.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Presente e liberdade criativa
Quando eu era criança, muitas vezes eu ia a festas de colegas da escola e não podia levar presente ou levava presentes mais baratos, como roupas. Como criança, eu adoraria presentear com brinquedos sofisticados da moda, já que comercialmente era o que eu mais via e, consequentemente, eram mais caros. Mas as nossas condições financeiras não eram favoráveis para esses "mimos" do consumo. Eu ficava imaginando que não dar um presente ou dar roupas seria um insulto (apesar de eu mesmo adorar ganhar qualquer coisa quando alguém resolvia me presentear, até mesmo produtos de 1,99 do camelô), mas minha mãe fazia questão de salientar "presente é presença".
De fato, presente é o aqui e agora. É o que você fala na hora da chamada na sala de aula (dependo da idade real ou mental, se fala também "presunto", "presidente", entre outras variações mais alternativas). Presente é o tempo verbal que simboliza ação, estado ou fenômeno natural que está acontecendo neste momento. Não quero divagar sobre os amplos significados que a língua tem para a palavra "presente". Vou defender, com três acontecimentos, a tese de minha mãe que para mim, quando criança, não passava de uma demagogia, por mais que naquela época eu não soubesse sobre a existência da palavra demagogia e seu significado.
1) Certa vez, um amigo foi em minha casa para deixar umas camisas que vendíamos para os calouros de Publicidade. Ele vestia uma camisa vermelha e gasta do Radiohead. Quando terminamos os nossos negócios, eu comentei "engraçado, ontem mesmo eu tinha falando no Twitter que meu sonho era ganhar uma camisa do Radiohead e hoje você está usando uma". Meu comentário estava despido de pretensões maiores que pontuar o acaso da coincidência. Para a minha surpresa, ele tirou sua velha camiseta, pegou uma das que estavam sobrando das vendas para os calouros para se vestir e me entregou a que era dele dizendo "pode ficar com ela, já passei momentos inesquecíveis usando essa camiseta e acho que você poderá fazer um melhor proveito dela agora e honrá-la" ou algo próximo disso.
2) No meu aniversário há 2 anos, em uma quarta ou quinta-feira, eu não queria comemorar, queria apenas assistir ao jogo do Fluminense pela Libertadores nos tempos em que meu time ainda gostava de disputar a competição continental. Porém, com um pouco de insistência de alguns lados, resolvi topar de ver o jogo em um bar com alguns amigos. Fui surpreendido com todos os tricolores presentes estando devidamente uniformizados, com a presença de amigos não tão fanáticos por futebol assim e até por flamenguistas. O ponto alto foi um amigo santista fazer questão de pegar uma camisa emprestada para também estar na torcida pelo Fluminense e de eu também ser presenteado com um bolo com o desenho do escudo do time na cobertura. Para completar, o Fluminense fez uma partida razoável e venceu o jogo.
3) Em uma viagem em 2013 para São Paulo fiquei hospedado na casa da minha irmã. A intenção era simplesmente aproveitar para ficar mais próximo da parte carioca-paulistana da minha família enquanto eu fazia outras pendências do momento. Paramos para organizar algumas coisas e meu sobrinho, então com 4 anos, resolveu que queria porque queria me presentear. Ele trouxe para mim um palhacinho da dupla Patati Patata que até hoje não sei qual que é, mas o batizei de Patati-Patata.
Há um sem número de casos que poderia exemplificar aqui de presentes e pessoas. Sobre a primeira história, tenho e uso a camiseta dada até hoje, honrando sua história anterior a mim e adicionando outras novas. O alegre Patati-Patata está na minha escrivaninha fazendo companhia a outros adornos e a mim mesmo quando estou fazendo uso do ambiente, como agora. Da segunda história, como era de se esperar, não sobrou o bolo com o símbolo do Fluminense, que foi muito bem consumido, restando apenas fotos de recordação daquele dia, duas delas afixada na parede do meu quarto.
Mas, muito mais do que isso, esses presentes são inesquecíveis pelas pessoas que fizeram parte deles. O diferencial foi a atitude de quem estava lá comigo naquele instante, dividindo seu tempo, sua história e se desfazendo de parte de sua vida para me dar. O verdadeiro presente que ficou foi quem estava presente e era o que de fato o que eu mais queria e que todos queremos em diversos momentos de nossas vidas.
Piegas? Talvez. Mas ninguém pode discordar de que ou minha mãe tinha razão ou a lavagem cerebral dela foi muito boa.
Nesse ponto chego a tal da liberdade criativa. Uma coisa que não mudou muito dos meus tempos de criança para os tempos de hoje foi a minha impossibilidade de poder comprar sempre o que eu realmente gostaria de dar de presente. Muitas vezes é pela falta de dinheiro. Outras vezes é pelo constante ponto de interrogação que surge na hora de decidir o que dar de presente. É quando faço uso de toda a minha liberdade criativa.
Parêntese. Diferente das outras formas de liberdade, como, entre outras, a de expressão (no Brasil não existe), de imprensa, de religião e até mesmo a tal liberdade do Só Pra Contrariar, a liberdade criativa é algo que ninguém pode tirar de mim, somente alguma enfermidade que eu ainda não marquei hora para ter. A liberdade criativa está dentro de mim e não há nada que possa censurar.
Busco inventar presentes, recortes, junções de coisas baratas monetariamente mas que façam sentido. O presente material, mesmo sendo baratinho, é um exercício "mutualístico" para descobrir o outro e me descobrir dentro do outro. Do que ele gosta? Qual sua cor preferida? Quais suas preferências de repertório? Principalmente, qual é a sua necessidade? Um livro? Um tênis para jogar tênis? Palavras soltas? Uma companhia para ir ao bar molhar o verbo em conversas filosóficas fúteis ou futilidades filosóficas? Uma dedicatória sincera? Um objeto que sirva de lembrança pra vida toda?
Me divirto tentando fazer isso. Me desespero também. Eu sei que é um tanto quanto egoísta e que posso errar na mosca na melhor das intenções. Muitas vezes eu não consigo fazer nada e me limito as minhas sinceras felicitações. Para você que eu errei, me desculpe, do fundo do meu coração. Se ainda não te agradei, prometo um dia me esforçar mais para chegar lá. E isso não é nenhuma indireta para ninguém, porque eu realmente apenas desconfio das grandes chances de erro em que me expus. Inclusive, se você ler isso e se identificar, for essa pessoa para quem cometi uma grande gafe, pode vir falar diretamente comigo.
Metáfora de futebol: a sorte é que as vezes a gente está com a bola na lateral do campo, faz o cruzamento e acerta diretamente no gol, surpreendendo o goleiro. É claro que depois do jogo eu vou falar que minha intenção era acertar o gol, o que não é mentira, mesmo que algumas etapas tenham sido puladas.
Voltando a parte do presente, várias vezes eu também errei nessa filosofia e não me fiz presente por uma razão ou outra. Infelizmente é algo típico e esperado de mim. Somente esse semana eu não fui ao aniversário de um amigo (me desculpa, Fred), talvez eu não vá em outro de uma amiga (me desculpa, Bibi). Também não fui na colação de grau de uma grandessíssima amiga, momento realmente único de sua vida brilhante que por uma razão ou outra não me fiz presente. Me desculpa, Bia. E isso tudo não quer dizer que eu não goste de ganhar presentes comprados em lojas de diversos tipos. Eu adoro ganhar presentes. Mas que eles venham acompanhados de um pouquinho do presenteador, se não for pedir muito.
De qualquer forma, usei de minha liberdade criativa e dedico esse texto a todos que entendem esse universo. Assim me faço presente de algum modo.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Ato de Fé
O que me fez sair do meu sono esta noite foi a inquietação. Dormi de qualquer jeito no sofá "estarrecido" com tudo o que ocorria depois dos últimos atos de fé que me deparei do povo brasileiro. Antes das 6 da manhã de uma segunda-feira, que devia ser abençoada para mim por conta de um recesso do feriado de amanhã do Dia do Servidor Público em que sou contemplado por estudar e estagiar em órgãos federais, comecei a rabiscar no papel esboços numa tentativa de organizar os meus pensamentos. A internet neste momento está saturada de opiniões, esclarecidas ou não, porém legítimas na maioria dos casos, afinal, vivemos em uma nação que a liberdade de expressão ainda permanece vigente, mesmo que com algumas controvérsias. Infelizmente não considero legítimas em todos os casos, já que a máxima do respeito é atropelada com preconceitos elitistas, tanto de direita, quanto de esquerda. E é dessa liberdade de expressão, movido pela minha tentativa de acabar com uma inquietação que vou ser só mais um na internet com minhas opiniões, afinal, sou também mais um cidadão brasileiro.
Não é preciso ser antropólogo para saber que o brasileiro é culturalmente mais acalorado em relação a outras nações em suas reações, seja em momentos bons ou ruins, seja em eventos grandes ou particularidades singelas. Talvez por isso gostamos tanto de futebol nem que seja apenas na época de copa ou talvez, mesmo que um pouco mais comum antigamente, todos paravam e se uniam em torno de uma trama nebulosa de alguma novela em seu desfecho. Esse foi o clima vivido nas eleições. Cheio de tramas, reviravoltas, viradas, escândalos, injustiças ora para uns, catarses ora para outros e uma decisão que não se satisfez por ter a emoção elevada a flor da pele até os acréscimos da prorrogação, sendo decidida nos detalhes da "loteria" das cobranças de pênalti. Todavia, eleição não é futebol, tampouco a reação da população não deveria ser igualada a esta analogia estúpida que acabei de fazer.
Votar é um ato de fé.
O Brasil é feito, sobretudo, por brasileiros. Nossa soberania em um estado democrático de direito está em nós mesmos, pois nós fazemos a escolhas dos rumos da nação. Independentemente do resultado de ontem nas eleições, não importando se o vencedor fosse Aécio Neves ou Dilma Rousseff, quem faria e ainda poderá fazer a verdadeira mudança de nosso país somos nós mesmos. Porém, com as reações que vi, acho que nós não estamos preparados ou queremos mudar. Não estou me isentando da responsabilidade, estou no mesmo bolo, uma vez que, mesmo que por ora, minha atitude seja apenas escrever. Também não estou fugindo do meu posicionamento político quanto ao meu voto, apenas considero que o ponto em questão não é esse. Para reforçar esse meu ponto de vista quanto ao ato de fé, sugiro a leitura deste texto do psicanalista italiano que reside no Brasil Contardo Calligaris, publicado na semana em que tivemos o resultado do primeiro turno,
O que vimos nessa caminhada, entre outras canalhices, foram amizades desfeitas. Tentativas de ofensas gastronômicas com as rotulações de "esquerda caviar" ou "direita coxinha" mostravam a total incapacidade ao lidar com uma vitória ou derrota (abro parentese aqui para dizer que considero ambas rotulações frutos de "classes médias" - repare bem no não uso da palavra "elites" - intelectuais e/ou econômicas que muito mais do que se considerarem esquerda ou direita, repudiam e temem a ideia de pertencer ao outro lado em que critica). Entendo que essas reações podem ser um pouco irracionais dado o calor do momento. Porém, já é ridículo o Brasil virando um grande estádio de futebol com esses gritos vindos de um lado ou de outro (lembrando que um estádio de futebol tem arquibancadas em formato que rodeia o campo e faz com que conceitos de direita e esquerda, neste contexto, se tornem totalmente relativos). Mas no momento em que a agressão se torna de brasileiro para brasileiro, tudo fica totalmente incompreensível e inaceitável.
Episódios de brigas em estádios de futebol são condenados pelos "politizados" sempre que ocorrem e se tornam destaque nos noticiários. Tão ruim quanto, por vezes pior, é quando uma torcida se une para mostrar sua total irracionalidade para praticar atos racistas. Por que retorno a analogia ao futebol? Vou relatar aqui em baixo alguns acontecimentos que cabem reflexão que justifica essa retomada.
Uma amiga jornalista relatou em um grupo de Whatsapp (viva as redes sociais!) que ontem ao ir votar com adesivos e camisa de um dos partidos em questão se sentiu acoada e intimidada ao chegar ao colégio em que ela vota porque era praticamente unanime o apoio dos demais eleitores ao outro partido em disputa. Não demorou muito para vir agressões verbais.
Outro caso que vi, dessa vez no Facebook (viva!) foi uma postagem em que duas pessoas petistas (pelo menos no contexto de segundo turno) postaram uma selfie em frente ao colégio em que votam com a legenda "petralhando em território inimigo".
Em ambos os casos o que me chamou a atenção, além de virem de redes sociais, foi que na hora do ato máximo da democracia, se via uma subversão de valores. No primeiro, a indignação de uma pessoa por se sentir um estranho no ninho, com razão a partir do momento em que houve opressão verbal e no olhar na hora de votar. No segundo, o orgulho, neste caso não só de ter um posicionamento político, mas do uso da palavra "inimigo" ao se referir ao colégio de votação e o posicionamento da maioria que ali vota. Ora, mas não somos brasileiros e o território em questão não é o Brasil?
Outro caso me chamou mais a atenção pela agressividade. Um casal que tem uma condição financeira mais favorecida estava no último sábado em um reconhecido restaurante bar que pode-se dizer que é frequentado por uma elite econômica. Seria um fato corriqueiro se o casal em questão não estivesse com adesivos com apoio ao PT e ao PMDB, e que em um ato de selvageria total, foram agredidos fisicamente por se posicionarem politicamente em um país que por anos lutou pela liberdade de expressão.
Por fim, outro episódio que teve um repercussão maior foi com o humorista Danilo Gentili. Também no sábado, em um show de humor em seu conhecido bar de stand-up comedy em São Paulo, ele fazia piadas que tinham como alvo a presidente e então candidata Dilma Rousseff, quando uma das pessoas da plateia se mostrou insatisfeita com o tom ácido do humor direcionado à petista. Neste ponto é importante considerar que é uma praxe do humor ter como alvo a política e principalmente os governantes que estão em evidência. Concordando ou não com o ponto de vista e com o humor de Danilo Gentili, ele é reconhecido por suas críticas ao PT e naquele momento ele estava sendo pago por quem frequenta seu bar para poder exercer o seu oficio, que é não passa de uma prestação de serviço como qualquer outra. Ao final, ele disse para a pessoa exaltada na plateia "eu não sou empregado do PT, eu falo o que eu quiser. (...) Você precisa aprender a viver em um país onde as pessoas tem o direito de falar o que quiserem. Eu estou exercendo o meu direito". Para ver o vídeo na íntegra, clique aqui.
É bem provável que quem estiver lendo isso deve ter presenciado ou tomado conhecimento de tantas outras ações contraditórias, anti-democráticas ou irracionais. Neste momento quero adentrar em um ponto que me chama mais atenção e que mais me entristece.
Eu sou nordestino. Com muito orgulho e com muito amor. Atualmente eu moro em Goiânia e aqui tive minha formação intelectual e moral. Porém, nunca me distanciei de minhas origens, sempre voltando quando podia para visitar a minha família, a casa onde cresci nos primeiros anos da minha vida e revendo a minha história. Entre outros lugares que tive a oportunidade de visitar mais de uma vez, o nordeste, nem que seja somente o estado do Rio Grande do Norte, foi um lugar que pude acompanhar a evolução constante e significativa.
Ontem, para variar, com mais uma vitória de um governo marcado, entre outras coisas (boas e ruins), pelas questões sociais e políticas mais populares, uma nova onda de revolta se ascendeu contra a camada da população que ainda é a mais pobre economicamente do Brasil. Talvez pela derrota de Aécio Neves ter sido por uma margem percentual mínima, ou pela população do nordeste não ser mais tão pobre como há 12 anos, ou até mesmo por eu estar mais adulto em comparação as eleições anteriores ou ainda pelo fenômeno que são as redes sociais, senti algo diferente no ar.
Me desaponta o tamanho da inabilidade de alguns indivíduos em se verem representados em seu próprio povo e não reconhecerem em seus compatriotas suas próprias histórias. É fácil nos indignarmos se um Ronaldinho Gaúcho é chamado de macaco fora do Brasil, mas mais fácil que isso é transferir a culpa de todos os problemas da nação para o voto do negro, do pobre, da mulher, do homossexual, do nordestino ou de qualquer minoria que ainda tem pouca voz e vez perto do que verdadeiramente o valor que eles representam no montante final. Isso reflete o quanto estamos incapacitados de mudar o Brasil, seja para mudarmos de voto, já que o PT vai para o seu quarto mandato consecutivo, seja para mudarmos de atitude, uma vez que mais uma vez querem se isentar da responsabilidade transferindo esta responsabilidade para o outro. De quem é a verdadeira ignorância? A resposta nessa ponto já se torna retórica.
A premissa básica das ciências políticas é a de não qualificarmos votos. Se um candidato é eleito, é porque boas propostas e propósitos foram apresentados para o povo. Se esse candidato foi reeleito, mais do que isso, ele fez algo verdadeiramente bom para a maioria da população que se propôs a ir a urnas. É totalmente estúpido dizer que quem vota em certo candidato é, por exemplo, burro. Ter opiniões divergentes é o que move a democracia e enriquece o debate e, por isso, não devemos empobrece-lo. Em analogia livre, se eu tenho 1 real e você tem 1 real, juntando, temos dois reais e podemos fazer bom uso. Porém, o que se vê, é que preferimos enxergar o mesmo 1 real do outro como não tendo valor e, para demonstrar isso, jogo o meu 1 real fora na esperança do outro fazer o mesmo. Querendo ou não, o peso do voto é igual para todos, não importa se o indivíduo é branco, negro, índio, rico, pobre, classe média, homossexual, heterossexual, crente, ateu, velho, novo, ser de peixe ou touro, ter nascido ou sul ou no nordeste.
O Brasil é um país plural, multicultural, moderno, bonito e com muitos problemas a serem resolvidos. Com tantas culturas e pensamentos distintos, a democracia que nos rege é uma benção e melhor solução política. Porém, é importante salientar que democracia é diferente de humor, que é diferente de crítica, que é diferente de insulto. Esses quatro pontos em algum momento sempre vão se interceptar, porém, nunca serão sinônimos. Vamos deixar cada um em seu quadrado.
Sou nordestino, mas acima de tudo eu sou brasileiro. Pessoas que conheço desde criança, que tiveram a oportunidade de formação intelectual que eu tive, seja por causa do contexto social em que estamos inseridos ou por estudarmos no mesmo colégio na infância, têm o direito de ter pensamentos diferentes do meu. Só gostaria de lembrar que hoje em dia nas redes sociais quando você fala direcionado a um, você fala pra um milhão. Aproveito para lembrar o artigo 5º de nossa Constituição em que diz que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade". A regra é clara e você pode responder legalmente por seus atos. O nome disso não é censura, são apenas direitos básicos.
De ontem para hoje muito se falou até sobre dividir o país em dois. Reconheço que quem está propaganda isso, seja novamente por indignação com o resultado das eleições ou seja por tentativa de sugerir uma solução motivados pela decepção com a reações das pessoas, por se sentirem vencedoras ou derrotadas, está motivada pelo calor do momento. Mesmo assim, considero isso de uma lástima sem tamanho, mesmo que seja originada irracionalmente pelos turbilhões de acontecimentos, ações e reações. Para vermos a infelicidade da proporção desta "alternativa", basta olharmos na história o quão lamentável isso é. Hoje temos duas Coreias que viram as costas para seus irmãos que vivem do outro lado de um mesmo território. Tivemos, também, duas Alemanhas que separadas sofreram por diversos motivos e que hoje, de maneira reunificada, se mostra mais forte que antes, admitindo, pasmem, o seu lado geográfico mais pobre economicamente. Felizmente o Brasil, apesar dos pesares, é um só e não é possível virar as costas para si mesmo.
Vejo que a presidente eleita tem a missão de fazer com que todos os brasileiros se sintam representados por ela. Concordando ou não, ela foi eleita democraticamente e ninguém pode passar por cima de nossa democracia a duras penas conquistada. Ela é a nossa representante máxima, mesmo que você não tenha votado nela. Não estou dizendo para não haver oposição. Deve haver oposição. O sistema em que vivemos é tão bom que podemos usar o próprio sistema para mudar o sistema. O PT vai continuar querendo se perpetuar no poder? Sim. Mas que partido no poder assim não o faria? Só espero que o PT não faça censuras as críticas e denúncias feitas contra seus políticos, mas aí já é outra história.
Retomo o estado de estádio de futebol em que presenciamos. Também não estou querendo que o brasileiro deixe de ser como é em suas demonstrações de emoção, o lado da zoeira. É fácil reconhecer que uns se exaltaram mais que os outros em seus posicionamentos. Cito aqui o Lobão, músico que fez muita polêmica em cima das eleições. Ele é uma pessoa pública que se sujeitou a enxurrada de chacotas que recai sobre ele neste momento. Todavia, não é justificável a irracionalidade do insulto, tanto a pessoas do nosso convívio, quanto a pessoas comuns que sequer conhecemos suas histórias de vida para subjugarmos. Se assim continuamos fazendo, estamos apenas demonstrando nosso lado mais primata.
Quanto as amizades que você desfez durante a campanha, ainda da tempo de reconhecer seus equívocos e/ou perdoar quem você acha que te ofendeu. Porém, gostaria de lembrar que os caras que estão lá em cima não se importam em quantas amizades que você deixou de lado, as farpas que foram trocadas e as tensões que foram criadas. Quem ta lá em cima só se importa com você e suas amizades quando eles perdem nossos votos. O que estou dizendo não é demagogia e não precisa ser tão esclarecido para saber disso.
Para falar de política gostaria que as pessoas discutissem e debatessem pontos políticos, que na verdade foi o que menos vimos. Senti falta de senso crítico das pessoas ao postarem seus pontos de vista, por exemplo tópicos básicos como as quantas andam a economia do Brasil e do mundo no contexto atual e qual seria a melhor solução para o atual panorama em que vivemos. Enquanto continuarmos assim resumindo a população na "esquerda caviar" e na "direita coxinha", o voto não passará de um ato de fé que se aproxima muito mais do irracional do que do científico. Porém, nesse ritmo, a vida por aqui será a verdadeira linha tênue entre ato de fé e ato de coragem de viver.
***
Finalizado o meu raciocínio aí em cima, gostaria de lembrar alguns outros pontos. Em 2018, o Brasil completará mais um ciclo de 4 anos de mandato do PT, chegando ao todo a 16 anos. Goiás vai completar 20 de PSDB (com o período de 2006 a 2010 sendo mandato do candidato do PP Alcides Rodrigues, que teve sua candidatura alavancada pelo tucano Marconi Perillo). E São Paulo vai para incríveis 24 anos com PSDB no poder. Acho que passou da hora da democracia respirar um pouco o alívio da alternância.
Para a presidente Dilma Rousseff eu tenho reservada inúmeras críticas. Tenho certeza que não sou o único. Quanto a sua gestão, posso sugerir leituras clicando aqui, aqui e aqui. Não vou, porém, me adentrar em polêmicas como a corrupção, uma vez que isso já não seria novidade para ninguém e estamos saturados disso. Também não vou entrar nos seus méritos, acredito que ela gastou muito tempo de sua campanha eleitoral para falar sobre isso quando não queria mais falar mal de seus oponentes, então, eu não vou fazer essa propaganda. Todavia, eu desejo do fundo do meu coração, enquanto brasileiro, que ela faça o melhor mandato de todos os tempos de nossa história e que possamos, finalmente, nos aproximar de sermos o país do presente. Eis aqui meu ato de fé.
Finalmente, espero que todo mundo possa acalmar os ânimos e se unir em torno da causa maior que é o Brasil. Mais uma vez quero lembrar que o Brasil é feito de brasileiros e que nós podemos mudar isso tudo. A sugestão é começar a mudando de atitude. Talvez todo dia antes de dormir, cada um podia refletir "eu fiz algo hoje para mudar o Brasil?" ao invés de apenas reclamar na internet ou depositar sua fé em indivíduos tão iguais, falhos e brasileiros como nós. Nesse caso, acredito que a racionalidade é a melhor saída. Espero que eu possa refletir sobre isso mais tranquilo antes de dormir também ao invés de ficar inquieto e perder o sono.
Mas, por enquanto, malfeito feito.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
As plantas curam
Há um pouco mais de um ano atrás eu tirei uma sequência de quatro fotos parecidas, com a diferença de poucas frações de segundo em que as cores das luzes monocromáticas se alteravam. Essas luzes faziam parte da composição do palco secundário do festival Bananada no Centro Cultural Oscar Niemeyer, uma espécie de palco Sunset do Rock in Rio, versão Goiânia. O que tem de especial para mim? Nesse momento, mais de um ano depois, muita coisa.
Pessoalmente, na época, era um momento difícil da minha vida. Peguei uma câmera e decidi fotografar o fim de tarde no CCON durante o Bananada para simplesmente me distrair. Aproveitaria para fotografar o primeiro show da noite. Seria o primeiro show de muitos outros do Boogarins que eu iria ver ao longo desse mais de um ano. Eu havia conhecido Boogarins por intermédio de uma amiga que mandou o link de algumas músicas. Achei incrivelmente agradável e diferente de tudo o que eu havia ouvido de bandas novas. Depois a surpresa foi ainda maior por saber que a banda era goiana. Ela, então, me disse que eles tocariam no Bananada e eu fui conferir com a máquina fotográfica emprestada.
Na edição seguinte do Bananada, já no ano de 2014, muita coisa mudou em minha vida. Para melhor. Não sei se por esses motivos inexplicáveis de destino, acaso, sorte, aventura ou desventura, lá estava eu de novo de frente com os Boogarins no mesmo festival, no mesmo CCON. Porém, dessa vez, eu não era apenas um fã com uma máquina no meio de poucas pessoas. Agora eu era um fã que fazia parte da equipe que estava registrando o show deles oficialmente com gravação do vídeo que está no final do texto. Dessa vez eles não abriam o dia de shows com poucas pessoas na plateia em relação as bandas posteriores. Eles agora eram uma das atrações principais e contavam com uma multidão só para eles que já sabiam as principais letras de cor.
Nessa oportunidade eu descobri que aquele show do longínquo 2013 (é piegas, mas depois de reviravoltas positivas, parece que a gente viveu dez anos em um só) era apenas o terceiro show da carreira deles. Com muita destreza, talento, ousadia e oportunismo, eles souberam aproveitar as portas que se abriram no caminho de lá até aqui. Engataram turnês pelos Estados Unidos e Europa, mas encontram Goiânia Rock City um porto seguro. Colecionam vídeos no YouTube, publicações em jornais, portais e blogs em diversos lugares do mundo e principalmente fãs. E o mais legal de tudo é que eles têm a mesma faixa etária que a minha, o que apenas aumenta a inspiração de acreditar que é possível realizar sonhos, por mais improváveis que pareçam.
Aqui, nesse momento, só tenho que agradecer. Primeiramente a minha amiga Maria Angélica por me apresentar a banda e me convidar para ir naquele show. Também, ao meu amigo Larry, que tive a honra de conhecer nesse período entre festivais e que me colocou dentro de esquema da gravação. Toda a equipe que participou da filmagem, produziu e coordenou tudo para que desse certo. Todos me ensinaram pra caramba. E, claro, agradecer o Benke, Hans, Dinho e Raphael, os quatro cabras que compõem o Boogarins.
O título é uma referência ao primeiro EP deles, "As Plantas Que Curam". De certa forma, toda essa linha do tempo entre 2013 e 2014 é algo que foi curado por plantas invisíveis desses felizes acasos, ou seja lá o que forem, que me colocaram no caminho deles em um momento tão especial para mim. Quando peguei a câmera para tentar sair de uma fossa e ver os resultados das fotografias, não sabia que tanta coisa boa iria acontecer. Bom, aconteceu. E em meu voo eu vou sem aterrizar.
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