Eita!
Em plena segunda-feira
na fila do banco
recebo um quiproquó.
Veja!
Não vejo a receita
por muito bem pouco
do seu borogodó.
***
De quantas doses precisam
Para aguentar a vida?
Seja de poesia ou de suco da multimídia
Que quase sempre findam
Em euforia ou melancolia
***
Por que ainda insistes em escrever poesia
Se em quem lê só causa azia?
Por que não escreves algo que o povo gosta
Seu poetinha de bosta?
Por que jogas seus versos na merda
Desprezando completamente a métrica?
Por que na estrofe anterior
Você não usou uma rima perfeita?
E por que na estrofe anterior
Você sequer rimou?
Por que não entras num curso de português
Para aprender a escrever de uma vez?
Por que não considerastes que antes porém
Que artista no Brasil precisa ser filho de alguém?
Por que não exercitas teu poder de síntese
E não terminas seu texto antes que se finalize?
Porque quero que alguém me ache cool e intelectual
Antes de pôr aqui um ponto final.
***
Poema da despedida moderna e do amor virtual não correspondido
Tmj
Fmz
Blz
Flw
Vlw
Abs
Bjs
Tnc
Btf
***
dia que começa com pão com ovo
com cafezinho pingado
e com a cerveja gelando de novo
só pode ser um dia decretado
logo com a quinta-feira podia emendar
e com a sexta-feira enforcar
mais sábado e domingo num bem bolado
e delegar um prolongado
mas amanhã não tem legado
nosso destino está selado
acabou o feriado
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Buongiorno
“Take the lotus flowers into my room
Slowly we unfurl
As lotus flowers”.
(Radiohead)
Nos primeiros raios de sol,
As pestanas preguiçosas se abrem.
Nos olhos grandes como um farol,
Pra luz tímida na penumbra captarem.
Agora é a hora do desafio
Levanta.
Olha a cabeça.
Opa!
Um braço.
Outro braço.
Uma perna.
A outra perna como um compasso.
E deixa pra traz o berço.
Agora é a próxima fase:
Desvia dos sapatos,
Cuidado pra não cair,
Passo curtinho pra sair na maciota.
Gira a fechadura da porta e...
Saí!
Mais um pouco já é do lado de fora.
Já passei da sala.
Vira a direita nesta ala.
Abre a porta do corredor que dá pro terraço...
Shiiiu!
Ufa, ninguém ouviu!
Só mais um pouquinho.
Agora é só subir
Na cadeira de balanço.
E olhar para fora.
E olhar pro quintal.
E meditar.
E encontrar a paz.
E encontrar o amor.
E encontrar Deus.
E no ritmo do balanço
Simplesmente balançar.
Como num barco
Em direção ao seu cais.
E nos segundos raios de sol,
Forçar as pestanas agora pesadas.
Para contemplar grande palmeira
E as flores da vovó.
Pela última vez
Antes de finalmente
Poder fechar os olhos
E voltar a dormir como um rei.
Slowly we unfurl
As lotus flowers”.
(Radiohead)
Nos primeiros raios de sol,
As pestanas preguiçosas se abrem.
Nos olhos grandes como um farol,
Pra luz tímida na penumbra captarem.
Agora é a hora do desafio
Levanta.
Olha a cabeça.
Opa!
Um braço.
Outro braço.
Uma perna.
A outra perna como um compasso.
E deixa pra traz o berço.
Agora é a próxima fase:
Desvia dos sapatos,
Cuidado pra não cair,
Passo curtinho pra sair na maciota.
Gira a fechadura da porta e...
Saí!
Mais um pouco já é do lado de fora.
Já passei da sala.
Vira a direita nesta ala.
Abre a porta do corredor que dá pro terraço...
Shiiiu!
Ufa, ninguém ouviu!
Só mais um pouquinho.
Agora é só subir
Na cadeira de balanço.
E olhar para fora.
E olhar pro quintal.
E meditar.
E encontrar a paz.
E encontrar o amor.
E encontrar Deus.
E no ritmo do balanço
Simplesmente balançar.
Como num barco
Em direção ao seu cais.
E nos segundos raios de sol,
Forçar as pestanas agora pesadas.
Para contemplar grande palmeira
E as flores da vovó.
Pela última vez
Antes de finalmente
Poder fechar os olhos
E voltar a dormir como um rei.
domingo, 4 de setembro de 2016
Assalto Romântico
Ontem estava voltando pra casa a pé de madrugada, em Goiânia, a cidade mais segura do mundo, como muitas vezes faço. Eu usando bermuda, chinelo, camiseta simples e portando uma cara extremamente amassada. Só não estava portando o meu celular, o que fez com que, não sei porquê, aumentasse a sensação de segurança, vai entender. Todavia, até aí tudo bem.
Foi então que dois gentis assaltantes montados em uma admirável Honda Biz e em suas funções do dever me abordaram. O carona desceu, sussurrou romanticamente em meu ouvido "passa o celular, vagabundo" e logo acariciou meus bolsos em busca deste tão cobiçado aparelho da pós-modernidade. Em um gesto de carinho e reciprocidade, ergui meus braços vagarosamente e respondi a esta investida sem convites para jantar com um "já fui assaltado hoje", só para fazer aquele charminho de como quem quer dizer "você demorou demais pra aparecer em mim vida, baby", sabe como é, né?
Na falta de “esperto-fone”, o cavalheiresco meliante permitiu-se adentrar com sua mão em meu bolso (ui!) para sacar a minha carteira, lotada de papeis, recibos, cartões de visita e cartões de crédito estourados. Nessa hora a emoção bateu forte. Tive até vontade de aproveitar as minhas mãos que estavam no ar e abraça-lo em gratidão por toda a gentileza e pelo ato libertador de me levar navalhas de cheque especial. Mas o gentleman burglar quebrou todo o clima ao resolver avançar o sinal e levar também meus óculos de grau, os redondinhos que fazem com que eu seja comparado ao John Lennon ou ao Harry Potter, que estavam no mesmo bolso da carteira. Poxa, oclinhos, que bela hora pra estar no lugar errado e na hora errada, heim?
Como já não estava rolando mais nenhum clima entre a gente e por isso já não fazia mais sentido em continuar com esse romance, o nobre senhor ladrão voltou para seu posto em sua Honda Biz, que a essa altura já me parecia um verdadeiro Pegasus. Porém, em um sinal de que não havia ressentimento da parte dele comigo, benevolentemente ele demonstrou total preocupação com minha longevidade me dando uma importante dica de saúde ao se despedir com um "corre, vagabundo, corre!", que preferi entender como um "run, Forrest, run!". Fala sério, quem nunca quis ser o Forrest Gump uma vez na vida? E pra provar que eu estava em forma, tentei dar um pique Usain Bolt, mas como estava calçando chinelos, devo ter parecido mais um Romário treinando pós-rodada do Brasileirão nos anos 90.
Cheguei em casa, cancelei meus cartões de crédito porque não queria que senhores tão gentis passassem o constrangimento de andarem por aí com cartões negativado e disquei o 190 que, com muita classe, prontamente nada fizeram para me ajudar. Aí olhei pra minha cama, ela olhou pra mim e lá embarcamos no mundo dos sonhos.
Hoje pela manhã acordei com aquela vontade linda de viver o domingão, vestir shorts largos, por um boné e comprar o pão, mortadela e o jornal. Mas aí me lembrei de que não tinha mais carteira para fazer compras e nem óculos para ler as últimas do diário de notícias. Infelizmente, meu gazeteiro favorito deve ter sentido a minha falta hoje.
Foi então que surpreendentemente minha ex-namorada, que não falava comigo há tempos, me chama no Facebook: "Anderson! Você foi assaltado?!". Logo pensei que conexões reais nunca desconectam, afinal, como ela pode ter tamanho poder de adivinhação? Fé em Deus e a fé na vida renovadas, ela me informa que tinham achado minha carteira e meus óculos redondos. Peguei o contato do anjo da guarda dos utensílios roubados e voilà! Coloquei meu capacete, subi na minha magrelinha e sebo nas canela.
Impressionantemente estava tudo lá: carteira com muitos papéis e cartões aparentemente inúteis e os óculos, um pouco mais tortos e trincados que antes, mas bons o suficiente para me deixarem enxergar o que escrevo agora. A moça que encontrou minhas coisas e prontamente ofereceu ajuda para que o resgate de tudo o que foi surrupiado de meus bolsos fosse feito, logo me mostrou o que me proporcionou este encontro: um papel que em um primeiro momento parecia inútil, mas que tinha alguns números de telefone anotados para caso de emergência, que eu havia escrito muito tempo antes em uma viagem e nunca tirei de lá de dentro.
Agora tudo faz sentido. Vemos claramente que a minha displicência em acumular papeis que não são papéis-moedas em minha já grossa carteira não foi tão inútil assim. E agora quero passar este hábito para o mundo: deixem sempre na carteira de vocês um papel com o número de seu melhor amigo ou sua melhor amiga, seu namorado ou namorada, marido ou esposa, irmãos, pais, enfim, de quem quer que seja, que você talvez consiga recuperar sua carteira de motorista e seus cartões de crédito estourados, assim como eu consegui.
Dica dada, a última lição do dia é para os ladrões que querem aperfeiçoar e melhorar a imagem dessa classe tão trabalhadora: da próxima vez, não assaltem um fodido como eu, que a desilusão pode ser muito grande.
Foi então que dois gentis assaltantes montados em uma admirável Honda Biz e em suas funções do dever me abordaram. O carona desceu, sussurrou romanticamente em meu ouvido "passa o celular, vagabundo" e logo acariciou meus bolsos em busca deste tão cobiçado aparelho da pós-modernidade. Em um gesto de carinho e reciprocidade, ergui meus braços vagarosamente e respondi a esta investida sem convites para jantar com um "já fui assaltado hoje", só para fazer aquele charminho de como quem quer dizer "você demorou demais pra aparecer em mim vida, baby", sabe como é, né?
Na falta de “esperto-fone”, o cavalheiresco meliante permitiu-se adentrar com sua mão em meu bolso (ui!) para sacar a minha carteira, lotada de papeis, recibos, cartões de visita e cartões de crédito estourados. Nessa hora a emoção bateu forte. Tive até vontade de aproveitar as minhas mãos que estavam no ar e abraça-lo em gratidão por toda a gentileza e pelo ato libertador de me levar navalhas de cheque especial. Mas o gentleman burglar quebrou todo o clima ao resolver avançar o sinal e levar também meus óculos de grau, os redondinhos que fazem com que eu seja comparado ao John Lennon ou ao Harry Potter, que estavam no mesmo bolso da carteira. Poxa, oclinhos, que bela hora pra estar no lugar errado e na hora errada, heim?
Como já não estava rolando mais nenhum clima entre a gente e por isso já não fazia mais sentido em continuar com esse romance, o nobre senhor ladrão voltou para seu posto em sua Honda Biz, que a essa altura já me parecia um verdadeiro Pegasus. Porém, em um sinal de que não havia ressentimento da parte dele comigo, benevolentemente ele demonstrou total preocupação com minha longevidade me dando uma importante dica de saúde ao se despedir com um "corre, vagabundo, corre!", que preferi entender como um "run, Forrest, run!". Fala sério, quem nunca quis ser o Forrest Gump uma vez na vida? E pra provar que eu estava em forma, tentei dar um pique Usain Bolt, mas como estava calçando chinelos, devo ter parecido mais um Romário treinando pós-rodada do Brasileirão nos anos 90.
Cheguei em casa, cancelei meus cartões de crédito porque não queria que senhores tão gentis passassem o constrangimento de andarem por aí com cartões negativado e disquei o 190 que, com muita classe, prontamente nada fizeram para me ajudar. Aí olhei pra minha cama, ela olhou pra mim e lá embarcamos no mundo dos sonhos.
Hoje pela manhã acordei com aquela vontade linda de viver o domingão, vestir shorts largos, por um boné e comprar o pão, mortadela e o jornal. Mas aí me lembrei de que não tinha mais carteira para fazer compras e nem óculos para ler as últimas do diário de notícias. Infelizmente, meu gazeteiro favorito deve ter sentido a minha falta hoje.
Foi então que surpreendentemente minha ex-namorada, que não falava comigo há tempos, me chama no Facebook: "Anderson! Você foi assaltado?!". Logo pensei que conexões reais nunca desconectam, afinal, como ela pode ter tamanho poder de adivinhação? Fé em Deus e a fé na vida renovadas, ela me informa que tinham achado minha carteira e meus óculos redondos. Peguei o contato do anjo da guarda dos utensílios roubados e voilà! Coloquei meu capacete, subi na minha magrelinha e sebo nas canela.
Impressionantemente estava tudo lá: carteira com muitos papéis e cartões aparentemente inúteis e os óculos, um pouco mais tortos e trincados que antes, mas bons o suficiente para me deixarem enxergar o que escrevo agora. A moça que encontrou minhas coisas e prontamente ofereceu ajuda para que o resgate de tudo o que foi surrupiado de meus bolsos fosse feito, logo me mostrou o que me proporcionou este encontro: um papel que em um primeiro momento parecia inútil, mas que tinha alguns números de telefone anotados para caso de emergência, que eu havia escrito muito tempo antes em uma viagem e nunca tirei de lá de dentro.
Agora tudo faz sentido. Vemos claramente que a minha displicência em acumular papeis que não são papéis-moedas em minha já grossa carteira não foi tão inútil assim. E agora quero passar este hábito para o mundo: deixem sempre na carteira de vocês um papel com o número de seu melhor amigo ou sua melhor amiga, seu namorado ou namorada, marido ou esposa, irmãos, pais, enfim, de quem quer que seja, que você talvez consiga recuperar sua carteira de motorista e seus cartões de crédito estourados, assim como eu consegui.
Dica dada, a última lição do dia é para os ladrões que querem aperfeiçoar e melhorar a imagem dessa classe tão trabalhadora: da próxima vez, não assaltem um fodido como eu, que a desilusão pode ser muito grande.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
A Menina e Riozinho
“Nós não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois como as águas, nós mesmos já somos outros”.
(Heráclito de Éfeso)
Era sua primeira vez naquele lugar.
E que lugar!
Quantas casas esquisitas e engraçadas.
Parecem bonitas...
São bonitas.
Não, não. São lindas!
E esse piso de pedra pra todo canto?
Por que não igual o que passa lá de casa?
Olha esses velhinhos.
Olha esses fuscas!
A lambreta do vovô deve ser daqui.
Que igrejinha grandona...
Deve ser de quando os velhinhos eram criancinhas que nem eu.
Tá bom, mãe, já vou.
Pra onde a gente tá indo?
Tá chegando?
Tá chegando?
Tá chegando?
Uaaaau.
Quantas árvores.
Quanto colorido.
Que céu azulzim.
O sol tá quentim.
Tá chegando? Tá pertim?
Tá lonjão?
Que vento gostosim!
De onde vem esse barulho de água?
Tá aumentando...
É pra lá que a gente vai?
UAAAAU!
Que riozinho bonitão.
Será que pode pular?
Eu vou pular.
Um-dó-lá-sí-e-já!
TIM-BUM!
Volta aqui, menina!
Vem cá me pegar!
Que água geladinha.
Que delícia de nadar!
Na água desse riozinho
Que pra sempre vou brincar!
(Heráclito de Éfeso)
Era sua primeira vez naquele lugar.
E que lugar!
Quantas casas esquisitas e engraçadas.
Parecem bonitas...
São bonitas.
Não, não. São lindas!
E esse piso de pedra pra todo canto?
Por que não igual o que passa lá de casa?
Olha esses velhinhos.
Olha esses fuscas!
A lambreta do vovô deve ser daqui.
Que igrejinha grandona...
Deve ser de quando os velhinhos eram criancinhas que nem eu.
Tá bom, mãe, já vou.
Pra onde a gente tá indo?
Tá chegando?
Tá chegando?
Tá chegando?
Uaaaau.
Quantas árvores.
Quanto colorido.
Que céu azulzim.
O sol tá quentim.
Tá chegando? Tá pertim?
Tá lonjão?
Que vento gostosim!
De onde vem esse barulho de água?
Tá aumentando...
É pra lá que a gente vai?
UAAAAU!
Que riozinho bonitão.
Será que pode pular?
Eu vou pular.
Um-dó-lá-sí-e-já!
TIM-BUM!
Volta aqui, menina!
Vem cá me pegar!
Que água geladinha.
Que delícia de nadar!
Na água desse riozinho
Que pra sempre vou brincar!
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Vida sem legenda
Me chamo Anderson. Ou Rafael. Depende do nosso grau de intimidade, do ciclo social que compartilhamos, de como fomos apresentados ou como quis me apresentar na hora que nos conhecemos.
Tenho 23 anos. O que quer dizer que sou jovem, tenho uma vida inteira pela frente para arriscar, aproveitar, viver meus sonhos. Mas não jovem demais para ser prodígio em algum talento, já que, se assim eu tivesse, provavelmente já teria sido apresentado ao mundo. E muito menos tão jovem para que eu não comece a me preocupar de verdade com a vida adulta.
Sou homem, heterossexual, branco, sis, solteiro, sem filhos, empregado e assalariado, bacharel em Comunicação Social. Posso ficar falando diversas coisas que ajudam a me definir. Ou melhor, me legendar. Isso porque não falei dos meus atos. Restringi-me apenas ao ser e estar e não entrei nos méritos do fazer.
Vejo que seria muito mais interessante conhecer as pessoas perguntando o que elas comeram no almoço, ou porque ela está vestida de camisa florida, ou ainda porque ela fez uma tatuagem de um idoso no bíceps, ou o que ela acha sobre o Frodo ter aceitado a missão de levar o anel para a Montanha da Perdição na Sociedade do Anel.
Ao invés disso, perguntamos nome, idade, profissão, talvez até tecemos algum elogio, indagamos qual time o outro torce e queremos saciar a curiosidade de como encontramos tal pessoa naquele momento e naquele lugar. E assim começamos uma relação legendada.
Isto não é uma crítica, nem uma proposta para mudança de comportamento. Estou apenas “legendando” o que é mais comum acontecer. Porém, não seria mais interessante perguntar qual foi a melhor coisa que a pessoa já fez na vida, por exemplo?
É, talvez seria meio assustador e mais inusitado. Ou mais assustador e meio inusitado. Não tenho certeza.
Este tipo de padrão também acontece na necessidade que algumas pessoas têm de definições mais esclarecidas. Por exemplo, o Carlos do RH é amigo o suficiente para ir ao aniversário de dois anos da minha filha ou é apenas um colega que posso chamar no máximo para o futebol da firma? Será que posso apresentar a Ritinha pros meus pais, afinal, só tem dois meses que a gente sai, e será que apresento como namorada ou como amiga? Já faz dois anos que terminei com o Rogério e ainda nos falamos, mas será que tá certo ser amigo de ex? Será que estou novo demais para pensar em carreira e futuro? Será que estou velha demais para largar tudo e viajar pelo mundo? Será que sou mesmo tosco de ir ao shopping calçando Crocs?
Não precisamos realmente definir como fator decisivo para fazer um convite quem é colega, amigo, amigo de infância ou ainda melhor amigo. Nem querer definir rapidamente relações afetivas. E quando relações chegam ao fim de um ciclo, não temos que colocar a pessoa em caixas tão bem definidas do que ela será daqui para frente. Ou ficar definindo todos os passos da vida por conta da idade. Muito menos temos que nos cobrar (ou cobrar as outras pessoas) legendas para facilitar a nossa leitura do mundo, porque, no fundo, não ajudará muito mais do que já estamos vendo.
Quanto ao caso Crocs, prefiro não opinar.
Entre as legendas das definições enlatadas e os chuviscos dos ruídos indefinidos, fico com a segunda opção. Vou sem pressa para chegar à sintonia dos cristalinos canais em HD da vida. Inclusive, os fantasmas na tela são bem-vindos até lá.
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